
Como aquele que disse para Napoleão que a Inglaterra era só mais uma ilha.
Ou como se ao contrário da fé, Noé tivesse vocação jornalística, e dissesse que a chuva era passageira.
Ou como milhões de americanos que reelegeram George Bush Sigundo.
Eu errei.
E errei feio quando tratei neste espaço, por várias rodadas, o Fluminense como rebaixado.
Admito o erro até mesmo se acertar e o Fluminense acabar na Segundona.
Se tentasse justificar meu equívoco, diria que errei porque o Flu vivia uma situação lastimável em grande parte do campeonato.
Perrengue tão demorado (27 rodadas entre os 4 últimos até o presente momento) que poderá ser, agora, a principal razão de uma possível queda. Com poucos jogos pela frente, qualquer tropeço será mortal.
Mas é só parar e pensar que se fossem dez partidas mais para o fim, o Tricolor carioca permaneceria na Série A.
Errei mesmo. E o principal motivo do meu erro foi achar que ali não havia nenhuma faísca de ânimo para provocar uma sequência inflamada de vitórias.
E tem também o Cuca, técnico no qual meti bronca por não ter optado por terminar o ano como campeão carioca. Foi lá pegar o Fluminense para receber a Segundona no currículo e ser demitido. Hoje, Cuca comanda os guerreiros do Fluminense no que parecia uma guerra perdida.
De projeções mais macabras que o torcedor tricolor poderia fazer há algum tempo, o Fluminense do professor Cuca transformou em possibilidades concretas para o mais crente a permanência na Série A, a conquista de um título Sul-americano e ainda o vice-campeonato do Flamengo. Tudo num só ano.
Mas mesmo que não consiga nada disso, o Fluminense já fez sua virada. Ao menos dentro de campo.
Há que se reconhecer o time mostrou não só vibração como também futebol bonito. Conca, no passe por elevação cirurgicamente preciso, fez das melhores jogadas de todo campeonato.
E como qualquer torcedor, sei que a fase mais legal é quando o time joga em sintonia com a sua massa, algo que, com um Maracanã lotado de certeza, acontece com o atual Fluminense.
E como é legal errar quando ganha o futebol.
Nota adicional:
Apesar de admitir ter queimado a língua, tem uma coisa que não vou errar seja qual for o saldo do ano para o Tricolor das Laranjeiras.
Como torcedor que viveu algo parecido, digo sem medo: se não mudar lá em cima, nas nobres cadeiras da administração do clube, pode se preparar para o pior.
O futebol não tem sentido, mas quem trabalha com ele precisa ter.
O momento bom de euforia só existe agora porque há uma possibilidade de se salvar sem ferimentos de uma situação calamitosa com causa em muitos erros de dirigentes. Afinal, brigar pela décima sexta posição no campeonato não é a coisa mais normal para quem foi vice da América há um ano.
Nota adicional 2:
A torcida do Fluminense não parece que irá se esquecer das bobagens feitas por seus cartolas. Ainda que seja muito mais fácil lembrar dos grandes craques do que dos perna-de-paus de caneta em punho, os tricolores mostraram que sua memória anda muito bem cuidada, como visto na emocionante homenagem ao ídolo Washington.