Algo mais ou menos como se o corinthiano pudesse trazer o time de 99 no lugar daquele horroroso que caiu ou o palmeirense, na mesma situação, fosse capaz de resgatar a equipe de 94 (ou ainda mais longe, o timaço da Academia).
Ou ainda, se o torcedor brasileiro conseguisse levar para a Copa de 90 o time de 82 (sem o Lazaroni também, óbvio).
Claro que as barreiras físicas e do tempo impedem que delírios como esse se tornem reais. Ao menos no futebol.
Porém, acredite, na música isso é possível. Mais especificamente, no Rock, foi exatamente isso que ocorreu.
Claro que o leitor vai dizer que não há novidade nenhuma nos dias de hoje em se assistir o retorno de medalhões com suas velhas guitarras e companheiros de palco.
Seja por oportunismo, por necessidade de fazer uma graninha ou mesmo só por prazer, uma enxurrada de grandes nomes andaram se reecontrando com a sua torcida, ou melhor, seu público. E não são poucos para torcer o nariz, fazer bico e dizer que essas reuniões são pura jogada comercial (e o que é não é em nossos tempos modernos?). De qualquer forma, isso mais parece uma evidência de que em todo lugar há sempre uma turma do amendoim para cornetar.
Desfeito no ano de 1998, o Faith no More voltou em 2009 para dar espetáculo. E conseguiu.
Um timaço de músicos que mais de uma década depois de se separar, repetiu aquilo que faziam de melhor: um som moderno, um concerto autêntico e com muito mais disposição do que a grande parte das "novidades" sonoras do My Space.
No último sábado, o capitão Mike Patton e sua trupe (desfalcada do guitarrista original, mas nem por isso menos afinada) detonaram uma apresentação impecável na Chácara do Jockey em São Paulo (Festival Maquinária). Com chuva e tudo, fizeram os fãs esquecerem as intepéries do tempo (e aqui não me refiro ao clima, mas ao passar dos anos).
O Faith no more fez com que os fãs da música pudessem reviver uma belíssima amostra do que melhor se fez no rock nos anos 80 e 90 e, talvez, mostrar para os novatos algo que eles ainda não puderam ver em bandas hypes da internet: carisma, autenticidade, conhecimento musical e, por que não dizer, geográfico. A banda cantou em português, trocou o "ela é carioca" por "ela é paulista" e ainda preteriu o tradicional "fuck" pelos bem mais sonoros palavrões em português: "porra, caralho".
Sem se colocar no pedestal de quem sempre precisa ser levado a sério, Mike Patton e cia não renegaram nem a veia brega que se mistura às influências de metal, funk e rap nas músicas do grupo.
Um verdadeiro clássico.
Abaixo, dois vídeos incorporados do UOL: Reunited, canção de abertura e o hit From out of nowhere.




















